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domingo, 16 de junho de 2013

FRANCISCANOS EM PORTUGAL - O CONVENTO DO VARATOJO


DE AFONSO V, REI MAIS FRANCISCANO QUE AFRICANO, A ANTÓNIO DAS CHAGAS, DESENGANADO DO MUNDO

    Fonte: Mensageiro de Santo António - Ano XXIX - Nº 5 - Maio 2013

    Autor: Arlindo de Magalhães

    Transcrição e adaptação: Rob


    Quando se chega ao Varatojo, logo se percebe a beleza daquela encosta, "largamente desafogada das bandas do Norte e Noroeste", onde fidalgos "levantaram seus palácios para veranear, junto da nobre e muito antiga Vila de Torres Vedras" que era "frequentada pelos nossos monarcas, que nela tinham o seu paço real desde o seculo treze".  São abertas a beleza daquela encosta e a vastidão da panorâmica que se oferece ao viandante que ousou subir ao alto!
    O cronista varatojano Frei Manuel de Maria Santíssima (1732-1802) escreveu assim: "fica Varatojo na encosta de um monte pouco elevado e nada escabroso, lavado do Norte, assaz sadio, vestido por toda a parte onde não é cultivado de tojo verde, rasteiro e ramoso, que, por estar quase sempre ornado de flores amarelas, fazem parecer aquele monte dourado, formoso, aprazível e agradável à vista".
    Tudo isto a uns 2 Kms. de Torres Vedras.
    Reconhecem os ewspecialistas que, à volta de Torres Vedras, ou Turres Veterae (como na Galiza Pontem veteram = Pontevedra), não são raros os dados "inconfundìvelmente romanos", da toponímia ao cimento "aplicado às pedras da cisterna do castelo"!
    Triangulando com Lisboa e Santarém, foi a vila conquistada aos mouros por D. Afonso Henriques. A vitória afonsina foi tão importante que o próprio Camões a registaria:
    
    Que cidade tão forte por ventura
    Haverá que resista, se Lisboa
    Não pôde resistir à força dura?

    ...

    Já lhe obedece toda a Estremadura,
    Óbidos, Alenquer, por onde soa
    O som das frescas águas, entre as pedras
    Que murmurando lava, e Torres Vedras.
                                         (Lusíadas III, 61)

    No séc. XIII, ao lado do foral [dado por D. Afonso III, em 1250], caracterizaram a história da vila e seu termo os senhorios de rainhas e infantas.
    Senhoras de Turris Veteribus foram sucessivamente D. Urraca, mulher de D. Afonso II, Teresa e Sancha, filhas de D. Sancho II, D. Beatriz, casada com D. Afonso III, que pode ter sido quem fundou os paços velhos da Vila; pertenceram depois as Torres Velhas à Rainha Santas, casada com D. Dinis, a D. Leonor Teles, mulher do rei Fernando, a D. Filipa de Lencastre, de D. João I, e a D, Leonor de Aragão, casada com D. Duarte, que ali fundou uma mercearia. As últimas senhoras régias que possuíram a vila foram D. Isabel e D. Maria de Castela, sucessivamente mulheres do rei D. Manuel.
    Vários monarcas ilustraram também a vila de Torres Vedras com a sua presença.
    D. João II viveu mesmo em Torres Vedras algum tempo, nomeadamente no ano de 1492, enlutado pela morte do seu filho e herdeiro do trono D. Afonso. Ao longo dos séculos, aqui pousariam também D. Manuel I, D. João III, D. João IV, D. João V, D. José, D. Maria I e outros vultos reais.
    Não é esta história a que nos interessa, embora tenhamos ainda que falar do rei D. Afonso V (1438-1481), que, este sim, tem tudo a ver com o convento do Varatojo.



AS CORTES DE TORRES VEDRAS

Infante D. Pedro, Regente do Reino.
(Internet)

    Em 14 de Março de 1441, foi enviada pelo regente D. Pedro uma carta em que se convocavam Cortes para o dia 25 de Abril, a realizar «onde auer que estivermos». Acabariam por reunir-se em Torres Vedras. Da sua agenda faziam parte a revisão da disciplina das sisas, a obtenção de subsídios financeiros para a defesa do reino e a legislação sobre o comércio da prata e lavramento da moeda. Como se temia uma invasão por parte de Castela, prevenindo-se a defesa, da agenda fazia ainda parte a obtenção de dinheiro e o estancar da fuga de prata para o estrangeiro, bem como a sua aplicação indisciplinada em fins sumptuários».



D. AFONSO V À LA MINUTA

D. Afonso V.
(Internet)

    Filho de D. Duarte, depois de uma infância perturbada, o rei Afonso, o 5º de seu nome e o 12º de Portugal, orientou para África a sua política e cuidados - donde o título de Africano. "No seu reinado, desde a povoação dos Açores até à ultrapassagem do cabo Catarina, no golfo da Guiné, e da descoberta das ilhas de S. Tomé e Príncipe, Ano Bom e Fernando Pó, e para Poente das ilhas de Cabo Verde, foi grande o esforço explorador, embora com intermitências. O resultado económico das explorações ... parece inegável... Por outro lado, a política financeira do Africano foi, até certo ponto, comprometida pela sua pródiga liberalidade...!" (Domingos Maurício).



MERCEARIA

D. Leonor de Aragão.
(Internet)

    Esta palavra mercearia deriva de mercê ou mercês, vocábulo derivado de merecer que designa "aquilo que se dá ou paga em retribuição de um trabalho".
    Mercearia era um hospício de piedade e beneficiência que recebia mulheres "honestas e recolhidas, e viúvas de bom procedimento", de preferência que tivessem possuído bens e se encontrassem posteriormente em situação de pobreza. Uma vez recolhidas, eram obrigadas a rezar pela alma do seu fundador ou fundadores. A instituição estabelecia-se numa casa, em princípio de pequenas dimensões, quase nunca com mais de meia dúzia de camas. Mas a mercearia podia também ser de homens.
    A de Torres Vedras, fundada por D. Leonor de Aragão, esposa do rei D. Duarte, destinava-se a sete donzelas ou viúvas pobres, mas de bom porte, naturais da vila, que tomavam sobre si a obrigação de ouvirem diàriamente, por alma da sua fundadora, uma Missa que devia ser celebrada na capela dos paços velhos.




D. AFONSO V E TORRES VEDRAS

    Quando lhe morreu o pai, o rei D. Duarte (1433-1438), o filho Afonso tinha apenas 6 anos de idade. Atendendo à sua menoridade, substitui-o no bom governo do País, seu tio-avô, o célebre D. Pedro (1392-1449), " uma das mais altas e significativas personagens da nossa história, o das sete partidas", que, em 1441, reuniu as cortes exactamente em Torres Vedras.
    Por tradição familiar, portanto, pela ligação que, até ao seu tempo, haviam tido a Torres Vedras quase todos os reis de Portugal, bem como suas consortes e filhas, como acima se disse, pela importância estratégica e económica da região torrense no tempo antigo, foi ali que D. Afonso V quis cumprir um voto que tinha feito a Santo António: se tivesse êxito nas conquistas africanas... 
    Quando o rei tomou o poder, ele e o tio regente do reino viram-se envolvidos numa história que não era a sua: ele próprio, D. Afonso, acabaria preso em França, donde deu ordem ao filho João, que tomasse o poder em Portugal, o que ele fez; pensou, nessa altura, ir ao Oriente em peregrinação, mas não conseguiu realizar o sonho... Nesta turbulência de vida, o rei quase decidiu desistir do poder e consagrar o tempo que lhe restava da vida à oração. Aonde?
    D. Afonso V tinha dado aos franciscanos observantes uma quinta que possuía no Varatojo para aí construírem um convento.



DO CONVENTO À ESCOLA DE PREGADORES

    A inauguração do Convento atraíu para Varatojo "os convertidos a uma vida espiritual superior". Ganharam fama as pregações dos Missionários Varatojanos e, em consequência, por ali surgiram famílias e se construíram casas. Informa o cronista Frei Manuel que, em 1794, se contavam já 60 fogos.
    Entretanto, tinham-se estabelecido no convento os Estudos da Província Franciscana dos Algarves, a que o do Varatojo pertencia. A partir de 1680, por cuidado de Rei António das Chagas (+ 1682), homem notável da cultura portuguesa - como abaixo se dirá - organizou ali um colégio de missionários apostólicos, sujeitos directamente ao Ministro Geral Franciscano, da Ordem dos Frades Menores. Chamou-se-lhe o "Seminário de Varatojo".
    No Varatojo se organizou, portanto, a primeira escola de pregadores missionários enviados a reevangelizar - já naquele tempo! uma terra ou país que começava a dar sinais claros de profunda descristianização. Terão sido eficazes os métodos utilizados?
    Entretanto, outras escolas ao jeito da do Varatojo, disciplina e metodologia iguais, se criaram: em 1711, o mesmo Frei António das Chagas criou uma em Brancanes (Setúbal) e, em 1753, uma segunda em Vinhais; em 1790, surgira já a de Mesão Frio; em Braga, criar-se-ia também outra, na Falperra, de curta duração (1826-1833).

Convento de Brancanes - Setúbal.
(Internet)


Convento de Vinhais.
(Internet)

Antigo Convento de Mesão Frio, 
hoje Câmara Municipal.
(Internet)

Antigo Convento da Falperra (hoje hotel).
(Internet)


EXTINÇÃO E RESTAURAÇÃO DO CONVENTO DO VARATOJO

  Quando, em 1834, foram extintas as Ordens religiosas em Portugal, já os irmãos do Varatojo se haviam posto a salvo um ano antes. Imediatamente os seus bens foram vendidos, dispersados e vilipendiados. O edifício do convento, entretanto, havia sido comprado pelo Barão de Torre de Moncorvo, embaixador de Portugal em Londres, que o reentregou a um grupo de egressos observantes de Varatojo. Por isso, em 1861, já alguns frades voltavam à vida conventual e à sua amada pregação
    Em  1910, porém, novo desastre: perseguidos novamente, os frades refugiaram-se em Tuy. 


Antigo Convento Franciscano de Tuy, hoje 
Seminário Menor Diocesano.
(Internet)

    E só em 1940, com a assinatura da Concordata e do Acordo Missionário, voltou as funcionar o convento de Varatojo e os seus frades puderam voltar a 2O aconchego das suas paredes e o vigor da sua tradição [que] os ajuda no empenho de sempre mais e sempre de novo assimilar o espírito do Pobrezinho de Assis, para levarem depois aos outros o anúncio da Paz e do Bem!".


FREI ANTÓNIO DAS CHAGAS
(1631-1682)

Frei António das Chagas.
(Internet)

    Depois de uma vida truculenta de amores e de soldadso - "de índole atrevida e estoura-vergas" - António da Fonseca Soares, "desenganado do mundo", entregou-se em Évora, era o ano de 1662, tinha ele 31 anos, como noviço à Ordem de S. Francisco, com o nome de Frei António das Chagas. Dez anos depois, começou a sua vida de pregador itinerante, como Jesus o fora: "O povo acudia a ouvi-lo nas igrejas", dizem os cronistas. É verdade que Frei António revolucionou a arte de pregar. Teve contestadores: António Vieira foi um deles, pois lhe criticou as extravagâncias da sua arte, "capazes de provocar alvoroto".

Padre António Vieira.
(Internet)

    Mas ele seguiu em frente. E logo pensou numa escola de pregadores. Criou-a no Varatojo. Segundo o Observantismo Franciscano, pobreza e repúdio absoluto do dinheiro (nem pela celebração da Missa recebiam esmola), os pregadores pediriam de porta em porta o pão quotidiano.
    Da escola saíam os pregadores dois a dois, enviados para uma diocese, a pedido do seu bispo. Ao fim de um ano regressavam ao Varatojo, a descansar e a estudar, durante seis meses. Voltavam em seguida.
    É o próprio Chagas que diz da sua agenda: "Em Braga, sendo Deus servido, hei-de estar todo o mês de Janeiro; em Viana, parte da Quaresma. E me parece que, se eu fizer o que entendo, não poderei ... là [voltar] antes de dous anos, porque o Verão se irá no Minho, e se entrarmos em Miranda e a Trás-dos-Montesno Outono, precisamente se há-de passar por estas bandas o Inverno; e é necessária a Primavera para ir passando onde, ou se não tem pregado, ou é preciso tornar a pregar, ainda que seja menos" (Carta de Dezembro de 1697).


A MISSÃO NA PENA DE RODRIGUES LAPA
(1897-1989)

Rodrigues Lapa.
(Internet)

    «Começou então para Fr. António das Chagas vida nova, mais concorde com o seu génio, que amava a acção. Ele próprio afirmava que a melhor forma da vida religiosa era a síntese da vida contemplativa e activa. A sua alma de soldado pulsava sob o grosseiro burel do frade. Quando saía a pregar dizia para o companheiro: Vamos, irmão, trazei a espada. A espada era o crucifixo. E ainda chamava fazer uma surtida quando entrava de noite, sùbitamente, nos povoados, bradando Penitência! Penitência! e alvorotando toda a gente que acudia às portas e janelas. Esse mesmo estilo se reflecte nos seus escritos, através de imagens tiradas da vida soldadesca.
    As suas missões começaram pròpriamente em 1672 e findaram pouco antes da sua morte, em 1682. Dez anos de intensíssimo labor apostólico, em que o dedicado franciscano percorreu, mais os companheiros, Portugal de lés a lés. A sua bagagem era simples: num alforge iam alguns cadernos de apontamentos de matérias predicáveis, a Bíblia, um breviário velho, um ou outro livro religioso e as cartas a que tinha de responder; também continha verónicas e rosários para distribuir pelas gentes e as indispensáveis disciplinas, para mortificação do corpo. Ia descalço, com um hábito pobríssimo, sem túnica, sem chapéu, sem murça. Sacola às costas, crucifixo grande pendente do pescoço, punha-se corajosamente a caminho ao sol e à chuva. Se alguém, com dó daquele extremo desconforto, lhe oferecia alguma coisa para a jornada, dizia-lhe o antigo capitão Bonina, conformado e alegre: - Eu não marcho como pé de exército, porque vou sem carruagem».


    Vocabulário:
   VERÓNICA - Imagem de Jesus, Maria ou de um/a santo/a impressa, gravada ou pintada, em qualquer material.
    MURÇA - Capa curta com capuz.



OBSERVANTES E CONVENTUAIS

    Naquele tempo, eram os Franciscanos ou a Ordem dos Frades Menores. Mas logo, ainda em vida de S. Francisco, surgiram diferenças entre os seus seguidores: os Espirituais ou, depois, os Observantes ou Franciscanos da Observância e os Conventuais, Claustrais ou Frades da Comunidade que, defendendo uma certa institucionalização dos fratres, procuravam a proximidade das cidades para construir os seus conventos.
    Mas, nos sécs. XIV e XV, os Conventuais começaram a resvalar para "grandezas e sossegos claustrais", suavizando a pobreza e a itinerância do irmão Francisco. A reacção veio do outro lado com o chamado Movimento da Observância que, chegou a pensar-se, conseguiria reabsorver os próprios conventuais.

Frades Menores Conventuais
(Internet)

    No entanto, em 1517, o Capítulo da Ordem Franciscana votou a sua divisão em dois ramos ou famílias: os Observantes e os Conventuais ou Claustrais.
    Mas continuaram, no seio da Observância, os insatisfeitos: aproximar-se mais de S. Francisco, era o objectivo. E continuaram as reformas: Capuchinhos, em 1528, Descalços ou Alcantarinos (de S. Pedro de Alcântara), em Espanha, Capuchos, em Portugal (que nada têm a ver com Capuchinhos), Recoletos. em França, Reformados, em Itália. Enquanto isto, nos sécs. XVI e XVII, os Observantes - pobreza e itinerância - espalhavam-se pelo Mundo. dirigindo-se ad Gentes. Mas também eles se deixaram tentar pela conventualidade.

S. Pedro de Alcântara
(Internet)


Observante, ou Franciscano 
da Observância
(Internet)

Capuchinhos
(Internet)

    O séc. XVIII, como sabemos, afrouxou o espírito de todas as ordens religiosas. Mas, em 1897, Leão XIII, um franciscano da Ordem Terceira Secular, reduziu a três todos os ramos franciscanos até então existentes: Conventuais, Capuchinhos e Frades Menores.

Leão XIII
(Internet)

Frades Menores (ou, simplesmente, «Franciscanos»)
(Internet)

    Em Portugal, como sabemos, ou não estaríamos aqui a falar de conventos de... e de..., os franciscanos optaram desde o princípio pela conventualidade. "Os primitivos eremitórios, assentes nas redondezas dos povoados, passaram para dentro deles, transformados em grandes conventos no solene estilo gótico e com escolas" (F. Félix Lopes). No entanto, vinda de Espanha, no séc. XV, a Observância chegou a Portugal: "eremitórios sertanejos fundados de modo antigo", Até alguns dos conventos claustrais se passaram para a Observância. Seguiram-nos alguns Capuchos, Observantes também.
    E foi nesta altura, 1470, que surgiu o convento observante do Varatojo. E outros se lhe seguiram. No entanto, em 1834, com a supressão de todas as Ordens religiosas, também os franciscanos se foram.
    Começa a restauração da Ordem em Portugal em 1861: o primeiro convento a abrir foi o do Varatojo. Mas, com a República, novo deastre: dispersão e mesmo exílio. E, a partir do 28 de Maio de 1926, tudo se refez de novo, até aos dias que correm. Actualmente, os Franciscanos têm em Portugal 26 conventos, assim distribuídos: 17 dos Frades Menores (Observantes), com cerca de 130 frades; 6 dos Frades Menores Capuchinhos, com cerca de 50 frades; 3 dos Frades Menores Conventuais, com cerca de 15 frades.

Claustro
(MSA)

Claustro
(MSA)

Claustro e torre sineira
(Internet)

Portal manuelino
(MSA)

Medalhão de azulejos representando Santo António
(MSA)


Entrada para a igreja
(Fernando Barão)

Aspecto parcial
(Fernando Barão)

Aspecto parcial
(Fernando Barão)

Chafariz
(Fernando Barão)

Portaria
(Fernando Barão)

Painel de azulejos: Lobo de Gubbio
(Fernando Barão)

Painel de azulejos
(Fernando Barão)

Retábulo do altar-mor
(Fernando Barão)

Retábulo
(Fernando Barão)


Aspecto parcial
(Fernando Barão)

Aspecto parcial
(Fernando Barão)

Imagem de S. Gonçalo 
de Amarante
(MSA)


O RELÓGIO QUE BATE AS HORAS

(Fernando Barão)

    Relata o já referido cronista, Frei Manuel de Maria Santíssima, que logo se apressaram a chamar a Varatojo Frei João da Comenda, irmão leigo do convento franciscano de Nossa Senhora da Conceição de Leça da Palmeira, ao tempo do Julgado de Bouças (hoje Matosinhos), mestre-inventor de relógios que batiam horas. Logo, em 1478, começou a funcionar.
    De Frei João da Comenda só se sabe que era um irmão leigo e que, engenhoso, percebia de serralharia. Montou, espalhados por Portugal, vários "relógios de rodas" - assim chamados. Calculando diâmetros e dentes de todos os tamanhos, pesos e contrapesos, tinha já a trabalhar 10 quando lhe pediram este para Varatojo. Sendo ele um franciscano, pode admitir-se tenha viajado a França e a Itália, onde terá aprendido estas artes.
    É dele um relógio que ainda hoje trabalha - certinho! - e, pode ser visto no convento de Orgens, em Viseu.
    De Frei João da Comenda deixou escrito Frei João da Póvoa, vigário provincial em Orgens, que Comenda "sabe ler e escrever, é um frade leigo, homem fiel e honesto, e bem devoto, e de bom exemplo; filho de um Fernão Vaz que teve carrego de uma Comenda da Ordem dos Cavaleiros de Rodes [...] E é de idade de 35 anos. E é subtil em outras cousas..."

    
    MSA = Mensageiro de Santo António (Nota do Blogger)

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